Decanter

Seja Bem Vindo a Decanter

Já é cadastrado?clique aqui

Buscar no site
Buscar no site

Produtores

  • África do Sul

    • Glen Carlou

      www.glencarlou.co.za

      Propriedade do colecionador de arte suíço, Donald Hess, Glen Carlou é uma dos nomes certeiros na produção de vinhos sul-africanos dentro do vale de Paarl. Uma região de clima temperado, com verões secos, invernos frios e úmidos, que combinados a variadas condições de solo e exposição criam um mesoclima único para o cultivo de variedades nobres.

      Desde 2003 quando foi adquirida pelo grupo Hess Family Estates novos projetos começaram a ser desenvolvidos na parte de viticultura com seleção de porta-enxertos, novos clones e redução de rendimentos no intuito da máxima expressão do terroir. Na cantina a equipe do enólogo Arco Laarman, largamente experimentada em outras regiões vinícolas, está focada e atenta a elaborar vinhos que aliam a pureza e intensidade do Novo Mundo, com a complexidade e frescor dos caldos europeus.

      O cultivo nos vinhedos da Glen Carlou seguem os preceitos de sustentabilidade, garantido nos selos colocados em cada garrafa a partir da safra de 2010. Entre os vários trabalhos desenvolvidos estão o uso consciente de herbicidas e pesticidas, a preservação das reservas de água, da flora local (fynbos) e das inúmeras espécies de aves nativas. Além de garrafas mais leves e de rótulos e caixas de papelão recicláveis.

      Dividos em três linhas, o estilo de produção da vinícola nas faixas mais acessíveis é de elaborar vinhos modernos, expressivos no olfato e fáceis de gostar em boca, gulosos, com taninos maduros, sem arestas. Para os amantes de origem, a Glen Carlou oferece um Chardonnay e um Cabernet Sauvignon oriundos de vinhedos específicos com solos ricos em minerais.

    • Raka

      www.rakawine.co.za

      A família Dreyer comprou a propriedade em Remhoogte, ao sudeste de Hermanus, em 1982. Piet Dreyer praticava a pesca comercial na época e a sua esposa e filhos tocavam a fazenda na sua ausência, e em 1999 plantaram 10 hectares de Cabernet Sauvignon, Merlot e Shiraz. A cada ano alguns hectares eram adicionados, e os 68 hectares atuais incluem parcelas de Pinotage, Sangiovese, Viognier, Mourvèdre, Petit Verdot, além de vinhedos maiores de Cabernet Franc, Malbec e Sauvignon Blanc, tornando a propriedade auto-suficiente para a composição dos diferentes cortes dos seus vinhos.

      Localizada a 17 km de Stanford em um vale nas Montanhas Kleinrivier, através do qual corre o rio Klein. Kleinrivier é a cadeia montanhosa mais meridional do continente africano, e as suas encostas apresentam uma grande variedade de exposições e tipos de solo. A proximidade do mar da fazenda dos Raka assegura o efeito refrescante das brisas da baia de Walker ao entardecer, enquanto que o vento sudeste que sopra da região das Agulhas no Oceano Índico ameniza o calor estival. O recém-demarcado Ward de Klein River (pequena sub-região no sistema sul-africano de Wine of Origin) está dentro do District (região mais ampla) Walker Bay e é mais frio do que as áreas vitícolas tradicionais do Cabo.

      A vinícola de propriedade da família foi concluída para a safra de 2002, e funciona por força gravitacional, minimizando o uso de bombas para transferência de mosto e vinho. Está equipada com diversos tanques pequenos de fermentação, possibilitando a vinificação individualizada de cada bloco de vinhedo. Os vinhos também são mantidos posteriormente em baterias de barricas de carvalho francês e americano separadamente.

      As uvas são colhidas manualmente em pequenas caixas, as quais são rapidamente transportadas à vinícola. A colheita manual permite uma pré-seleção: os cachos que não estão perfeitamente maduros ou danificados são deixados para trás. Na vinícola as caixas são esvaziadas em esteiras rolantes onde todas as impurezas são separadas das uvas sadias antes do desengace. Depois deste, as uvas são novamente selecionadas, retirando-se aquelas verdes antes do esmagamento, que ocorre diretamente nos tanques. As uvas de cada bloco de vinhedo são vinificadas separadamente em pequenos tanques de inox. Uma maceração a frio pode ser empregada por até três dias antes do começo da fermentação. O chapéu de sólidos é abaixado manualmente a cada quatro horas durante a fermentação (pigéage). Alguns vinhos são deixados em contato com as cascas para um posterior contato após a fermentação. Todos os vinhos tintos são envelhecidos em pequenas barricas de carvalho francês ou americano.

      Piet Dreyer sempre foi um pescador. Ainda muito jovem, aos 16 anos, seu pai foi seriamente ferido em um desastre de motocicleta, e ele passou a ajudar no sustento familiar pescando nos fins-de-semana e depois da escola em um barco de um amigo. O mar e a pesca permaneceram suas paixões e o seu barco Raka se tornou célebre entre os pescadores de lula. Como a tinta da lula deixava os barcos totalmente manchados, Piet encomendou um barco negro, eliminando assim a necessidade de pinturas constantes e o denominou Raka em referência ao poema em africânder de N.P. Wyk Louw, sobre uma tribo africana ameaçada por Raka, metade homem metade besta, preto como a noite. Ele tomou este nome como sua marca quando resolveu mergulhar com a mesma paixão na vitivinicultura, e por isso a escolha do slogan: "nascido do mar, guiado pelas estrelas, abençoado pela terra".

      Piet e Elna Dreyer possuem quatro filhos. Gerhard, o mais velho, também se tornou um pescador de lulas, deixando Piet livre para realizar a ambição de se tornar um produtor de vinhos de alta qualidade. A mãe Elna e Josef, o segundo filho, trabalham no marketing da empresa e Josef se formou recentemente em viticultura e enologia em Elsenburg - Stellenbosch, de modo que a partir da safra 2007 também estará contribuindo no âmbito enológico. O filho mais novo Pieter também estuda naquela escola e juntamente com a filha Jorika, estão à frente da sala de degustação e das vendas diretas na vinícola nos finais de semana. A família inteira se reúne também na colheita, quando cada mão é muito importante. Como os antigos marinheiros, acreditam no que está além do horizonte, e trabalham firmemente mantendo o curso para o sucesso.

      A experiente enóloga Danelle van Rensburg, que trabalhou na Austrália, Suíça e em diversas regiões da França é a consultora do jovem enólogo Josef Dreyer, filho de Piet recém formado na escola de Elsenburg - Stellebosch. Josef acompanha intensamente a empresa desde quando era estudante, do planejamento da vinícola ao plantio dos vinhedos, e nas cinco primeiras safras esteve sempre ao lado do "staff" enológico.

      A propriedade está localizada em um vale estreito nas montanhas Kleinrivier, a mais meridional cadeia montanhosa africana. Os vinhedos se desdobram dos dois lados do rio Klein, que sulca as montanhas no seu caminho para a baia Walker no Oceano Atlântico. Desta conformação têm-se vinhedos expostos tanto ao norte quanto ao sul, e outros também a oeste. A altitude varia de 58m para os vinhedos ao lado do rio até 120m para os vinhedos colina acima. Os solos são igualmente diversos, com as colinas mais altas apresentando arenito em decomposição e arenitos denominados Cartrefs. Neste tipo de solo a Sauvignon Blanc e a Shiraz dão excelentes resultados. Os tintos são majoritariamente plantados em "shales" (rochas sedimentares laminadas que retêm calor, moderadamente férteis) do tipo Glenrosa, alguns profundos e ricos, outras áreas pedregosas. Existem também alguns solos arenosos ao longo das margens do rio, nestes a Viognier e a Sauvignon Blanc se destacam. Tanto as castas quanto os porta-enxertos foram selecionados tendo como base a sua perfeita adequação aos diferentes "terroirs". Os ventos predominantes são os do sudeste no verão, que sopram do Oceano Índico através da região das Agulhas, e os ventos chuvosos que sopram do noroeste no inverno. A proximidade dos vinhedos do mar assegura que as frescas brisas marinhas vindas da baia de Walker a oeste ajam resfriando o mesoclima e prolongando o amadurecimento das uvas. Esta conjetura faz com que a região seja 2 graus Celsius mais fria em média anual do que Stellenbosch, predispondo-a para um estilo de vinhos entre o Novo e o Velho Mundo. Por fim, a proteção das montanhas ao sul bloqueia as chuvas vindas do sudeste que costumam assolar Overberg no verão.


      Vinhos


      Entre os brancos, O Shannonea 2005 é um vinho exótico, delicadamente mineral, cheio de facetas. Seu nome se deve à Erica Shannonea, uma flor indígena que faz parte do bioma "fynbos", um dos mais ricos dos seis reinos botânicos do mundo, com mais de 8.000 espécies de plantas apenas na área de Overberg.

      O Sauvignon Blanc ganhou 4 estrelas em 5 tanto na safra 2004 como na 2005, "excellent", no principal guia de vinhos da África do Sul, o "John Platter South African Wines": "golpeia, opção única da fria Stanford: Sauvignon qüintessencial mas com foco, caráter". O safra 2006 ganhou o "Terroir Wine Award" da região de Overberg.

      Complexo, intrigante e típico, o tinto Spliced 2003 é uma bela introdução ao estilo passional dos Dreyer. Spliced é a nomenclatura conferida por marujos e pescadores a um remendo de cordas, uma alusão ao combinar, entrelaçar, misturar uvas diferentes.

      O Pinotage é a uva emblemática da África do Sul, mas muitas vezes peca pela rusticidade dos taninos, excesso de álcool e acetatos encobrindo a fruta no aroma. O longo amadurecimento que o fresco Ward de Klein River propicia às uvas permite que a Pinotage chegue à completa maturidade fenológica, gerando taninos finos e dóceis, sem que os vinhos fiquem carregados de álcool e aromas decadentes. Nesta safra 2005 ele mostra seus típicos descritores de fruta ameixada, doce de banana, chá e açúcar queimado, mas com caráter vibrante e harmônico.

      O "Cape Blend", ou corte do Cabo Figurehead 2004, com seus 14% de Pinotage para dar um toque regional num corte bordalês, mereceu 4 estrelas em 5, "excellent", no "John Platter South African Wines 2006": "possui camadas que se desenvolvem intrigantemente". "Figurehead" descreve aquela figura, normalmente uma mulher ou uma sereia, que é colocada nos gurupés dos antigos veleiros.

      O elegante bordalês Quinary 2003 também ficou com 4 estrelas em 5, "excellent", no "John Platter South African Wines 2006". Seu corte entre as cinco variedades de Bordeaux inspirou o nome. Recebeu também o "Double Gold" no importante concurso Veritas da África do Sul.

      Um Merlot de rara classe é o Barrel Select Merlot 2005, selecionado das melhores barricas de carvalho francês na vinícola.

      O Biography é um estupendo Shiraz, Editor's Choice com 91 pontos na Wine Enthusiast, na safra de 2002.